Feira livre com forró, cinema nas escolas, saberes no Catimbau e shows inesquecíveis lotam a cidade e confirmam que o Agreste pulsa cultura e identidade
O dia 1º de agosto de 2025 ficará para sempre na memória do povo de Buíque. Desde as primeiras horas da manhã até a madrugada do dia seguinte, a cidade foi tomada por uma atmosfera única de celebração, cultura, encontro de gerações e valorização da identidade local. Foi a abertura oficial da segunda etapa do Festival Pernambuco Meu País, promovido pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe)*
Mais do que um evento, o festival representa uma mobilização cultural, econômica e educativa que transforma o cotidiano das cidades por onde passa. E em Buíque não foi diferente: feira animada, escolas cheias de juventude e criatividade, o Vale do Catimbau pulsando saberes tradicionais e uma praça de eventos tomada por milhares de pessoas são só alguns dos muitos reflexos da potência que o festival trouxe ao coração do Agreste.
A feira virou palco e o forró virou festa de rua
Logo pela manhã, o País Matrizes do Forró levou arte e animação para dentro da tradicional feira livre do centro da cidade. Quem passou por lá se deparou com a Banda de Pífano Fulni-ô, patrimônio cultural indígena da região, misturando ancestralidade e música com o autêntico forró pé de serra de Severino dos 8 Baixos, que emocionou ao tocar clássicos de Luiz Gonzaga. O grupo As Fulô, de Caruaru, trouxe a força das mulheres ao forró, provando que esse ritmo também é território de protagonismo feminino.
Feirantes e clientes pararam para dançar, fotografar e celebrar. “Hoje foi bom demais. Teve movimento e alegria. Esse forró aqui dentro da feira foi uma bênção”, relatou Seu Jorge, que há mais de 10 anos monta sua banca no local. Era impossível não sorrir, não bater o pé, não sentir orgulho da nossa cultura tomando o centro da cidade.
Cultura audiovisual e juventude conectada nas escolas
Enquanto a feira ganhava vida nova, a Escola Técnica Estadual Jornalista Cyl Galindo se transformava em um verdadeiro cinema. O polo País do Cinema ofereceu uma oficina sobre produção de vídeos com o celular para jovens estudantes, estimulando a criatividade, o pensamento crítico e o protagonismo juvenil. À tarde, foi realizada uma mostra de curtas-metragens com filmes que abordam a vida no Sertão e no Agreste com sensibilidade e profundidade, como Casinha de Mureta e Entre o Mar e o Sertão.
Após a exibição, o cineasta Leonardo Lemos conversou com os alunos sobre o papel da arte na transformação da realidade. “Não é só sobre assistir. É sobre se ver na tela, se reconhecer, refletir. É sobre afeto, pertencimento e memória”, afirmou. A escola, repleta de estudantes atentos e engajados, mostrou que o futuro do cinema e da cultura em Pernambuco passa por Buíque.
Saberes tradicionais e cultura alimentar no Vale do Catimbau
À tarde, no coração do Parque Nacional do Catimbau, o polo Pernambuco Meu País Descentralizado levou reflexão, ancestralidade e práticas sustentáveis para a comunidade da vila. A atividade de estreia, “Semente Crioula: Plantando História, Alimentando o Futuro”, foi conduzida pela nutricionista e agroecóloga Wilka Araújo, que promoveu uma roda de conversa com moradoras, educadores, estudantes e visitantes.
A troca de saberes sobre sementes, alimentação, território e futuro emocionou os presentes. “Cada semente é uma história viva. Plantar é resistir. É proteger o que somos”, disse Wilka. O Catimbau, com sua energia única e paisagem sagrada, tornou-se palco de um debate sobre soberania alimentar, sabedoria popular e protagonismo feminino. A programação segue até domingo com oficinas como Bora Fermentar, panificação com insumos locais, e apresentações de artistas como Coco Santiago, Gean Ramos, Valdi Afonjah, Paulo Matricó e outros nomes da cultura popular.
A praça virou multidão: shows, emoção e orgulho em alta no palco principal
Ao cair da noite, os olhos e os passos da população se voltaram para o palco principal do festival, montado na Praça de Eventos da cidade. A programação de shows começou com o cantor Antúlio Madureira, que trouxe o melhor da música popular pernambucana com frevos como Pagode Russo e Batutas de São José, misturando performance e tradição. Em seguida, a Banda de Pau e Corda emocionou o público com seu repertório de canções que atravessam gerações.
O ápice da noite foi a aguardada apresentação de Roberta Miranda, que fez sua estreia no Festival Pernambuco Meu País com um show carregado de emoção, história e representatividade. Roberta surpreendeu o público ao convidar a jovem Julia Lorena Leandro, sanfoneira de Buíque, para tocar ao seu lado a clássica Asa Branca. Julia, que conheceu a cantora em um programa de TV no ano passado, realizou um sonho diante de uma praça lotada. O repertório seguiu com sucessos como Majestade, o Sabiá, Duas Taças e Garçom.
“Eu lutei muito para abrir espaço para as mulheres no sertanejo. E ver uma jovem sanfoneira buiquense no palco comigo é a prova de que valeu a pena”, declarou Roberta Miranda, emocionada com o carinho do público.
Fechando a noite, Mano Walter colocou todo mundo para dançar com o melhor da vaquejada. Hits como Agora é pra valer, Juramento do Dedinho e Não sou vaqueiro, mas gosto de vaquejada embalaram casais, famílias e grupos de amigos que lotaram a praça até a madrugada. Nos intervalos, o Som na Rural, com curadoria de Roger de Renor e discotecagem de DJ Anunnak, manteve a energia no alto.
Cultura que movimenta e transforma: impactos além do palco
O Festival Pernambuco Meu País já demonstra impactos concretos para o município. A rede hoteleira de Buíque atingiu cerca de 90% de ocupação, a feira registrou aumento de circulação e vendas, e o comércio local viveu um dos melhores dias do ano. Mais que entretenimento, o festival traz desenvolvimento econômico, valorização identitária e fortalecimento das redes comunitárias.
E a melhor parte: toda a programação é gratuita e pensada para o povo, levando arte, educação e oportunidades para dentro das comunidades, das escolas e dos espaços públicos.
A festa continua até domingo!
A programação do festival segue neste sábado (2) e domingo (3), com oficinas, rodas de conversa, apresentações culturais e shows de nomes como Silva, Luedji Luna, Xamã, Hungria, Flor da Lira de Olinda, Rogéria Dera, Sofia Freire, além de talentos locais.
Acompanhe tudo pelo Instagram oficial do festival [@festivalpernambucomeupais](https://instagram.com/festivalpernambucomeupais) e da cultura do estado [@culturape](https://instagram.com/culturape).
Buíque mais uma vez mostra que é terra de história, de força e de um povo que sabe viver a cultura com orgulho e emoção. Que venham os próximos dias!
